As antiguidades não são obviamente um resultado do presente. São, no entanto, uma consequencia deste. Cada minuto, cada hora, cada dia, ano, mês, século, que passam, perpetuam.se no tempo este tipo de relíquias. E o mais importante de tudo isto: ADQUIREM VALOR. Depois, nascem alguns indivíduos, com especial carisma para idolatrar os legados do passado. Colocam-nos em redomas, em estantes, até mesmo em bancos - nos cofres fortes - onde sabem que provavelmente nem um ali-babá, conseguirá com a palavra adequada abrir e levar o que quer que seja. Dentro destes, há também aqueles que, tal como eu, gostam de coleccionar, e procurar - além de coleccionar por prazer, sim, porque coleccionar antiguidades é um prazer - a origem dos seus objectos de culto.
E que origens... nunca pensou quantas mãos já desfolharam aquela primeira edição de Amor de Perdição, do tão celebre vencido da vida, Camilo Castelo Branco? Em quantas paredes, sótãos, baús, esteve aquela gravura aberta a buril, de Bartolozzi? Quantas e quantas vezes, se elevaram as vozes numa casa, porque aquela inocente menina estava a querer brincar às cozinheiras com uma terrina Companhia das Índias? Quantas mãos já agrarram tão delicadamente aquela escultura do Bordalo? Aquela que ninguém tem...? Aquela que nem existe no Museu das Caldas? Quantas lágrimas já se derramarram de decepção, porque não se conseguiu no Leilão do Arnaldo Oliveira, adquirir aquela primeira edição do Adolpho Rocha, "A Rampa", porque o dinheiro já não chegava para tantas aquisições?
Mas, deixemo-nos de dramatismos, e pensemos agora que aqui poderemos escrever sobre as peças que temos, pode ser que alguém conheça, pode ser que alguém acrecente um ponto ao conto que já alguém nos contou, e que aumente assim as memórias que povoam o nosso ideal de histórias, de magias e de fantasias, para que, talvez numa noite fria de Inverno, sentados à lareira, ou com o ar condicionado a transpirar pelas frestas de plástico, possamos contemplar o que durante uma vida construímos, compramos, trocámos recebemos ou herdámos, nunca sabendo, se não será aquele olhar, o ultimo, de uma vida de ilusões...
E que origens... nunca pensou quantas mãos já desfolharam aquela primeira edição de Amor de Perdição, do tão celebre vencido da vida, Camilo Castelo Branco? Em quantas paredes, sótãos, baús, esteve aquela gravura aberta a buril, de Bartolozzi? Quantas e quantas vezes, se elevaram as vozes numa casa, porque aquela inocente menina estava a querer brincar às cozinheiras com uma terrina Companhia das Índias? Quantas mãos já agrarram tão delicadamente aquela escultura do Bordalo? Aquela que ninguém tem...? Aquela que nem existe no Museu das Caldas? Quantas lágrimas já se derramarram de decepção, porque não se conseguiu no Leilão do Arnaldo Oliveira, adquirir aquela primeira edição do Adolpho Rocha, "A Rampa", porque o dinheiro já não chegava para tantas aquisições?Mas, deixemo-nos de dramatismos, e pensemos agora que aqui poderemos escrever sobre as peças que temos, pode ser que alguém conheça, pode ser que alguém acrecente um ponto ao conto que já alguém nos contou, e que aumente assim as memórias que povoam o nosso ideal de histórias, de magias e de fantasias, para que, talvez numa noite fria de Inverno, sentados à lareira, ou com o ar condicionado a transpirar pelas frestas de plástico, possamos contemplar o que durante uma vida construímos, compramos, trocámos recebemos ou herdámos, nunca sabendo, se não será aquele olhar, o ultimo, de uma vida de ilusões...