sexta-feira, 27 de março de 2015

Parece que tal como as antiguidades, me tornei numa delas... desde dois mil e oito que nada publico, AQUI, mas publico noutros locais, e como qualquer doente pelo antigo, pelo raro, pelo excepcional continuo a fazer da minha vida, uma caixa de surpresas, ou melhor... uma caixa de música...essa pelo menos tem som!
Gostava tanto que me dissessem algo, e ninguém nada escreve...
Será que sou o único à procura? Serei porventura eu o doente maníaco por querer em regime de "pensão
completa" pretender sempre coabitar com, e dentro do passado, num mundo que de presente, só tem mesmo o tempo, e que com nada de agradável nos presenteia...!
E os presentes, esses dão-se no Natal, e até lá chegarmos já só faltam apenas uns dias... o tempo voa...! Lembram-se do meu primeiro post...? É verdade...!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

...e o tempo passa, provavelmente ainda não nos demos bem conta do quão veloz o tempo passa por entre os nossos dedos..., olhamos para trás e por vezes dizemos "já lá vai..." ou "passou-se", "já era...", diziam os romanos, "tempus fugit ", "o tempo voa...." e caminhamos porque se anda para a frente, deram-nos as pernas para que fosse possível fazê-lo...

Tal e qual são as antiguidades...., é tão engraçado...
Hoje compramos, e cada vez é mais fácil adquirir RARIDADES a preços de SALDO, por mais que queiramos escamotear a crise, é inevitável...
Custa, sim, por vezes custa..., comprar o RARO sabendo que se está a pagar o pão ao Diabo..., mas porquê?
Vangloriamo-nos por comprar pechinchas, regozijamo-nos porque conseguimos o difícil a preço fácil... é inerente à personalidade de coleccionador, mas lá no fundo no fundo.... o arrependimento vem... e se um dia, chama o remorso, nos encontrarmos numa situação idêntica, e se um dia, mesmo sabendo o valor daquilo que possuímos, somos COMPRADOS por baixo valor... é incrível, mas verdadeiro.... como um dia me disse o meu avô - um senhor, no mundo do coleccionismo, no mundo das antiguidades, sim porque sabia e conhecia - me disse; "feliz daquele que tem dinheiro para comprar quando aquele que o não tem, dele precisa...", e assim comprou toda a vida, e da vida fez um Museu....

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Históra de uma Antiguidade...

As antiguidades não são obviamente um resultado do presente. São, no entanto, uma consequencia deste. Cada minuto, cada hora, cada dia, ano, mês, século, que passam, perpetuam.se no tempo este tipo de relíquias. E o mais importante de tudo isto: ADQUIREM VALOR. Depois, nascem alguns indivíduos, com especial carisma para idolatrar os legados do passado. Colocam-nos em redomas, em estantes, até mesmo em bancos - nos cofres fortes - onde sabem que provavelmente nem um ali-babá, conseguirá com a palavra adequada abrir e levar o que quer que seja. Dentro destes, há também aqueles que, tal como eu, gostam de coleccionar, e procurar - além de coleccionar por prazer, sim, porque coleccionar antiguidades é um prazer - a origem dos seus objectos de culto.

E que origens... nunca pensou quantas mãos já desfolharam aquela primeira edição de Amor de Perdição, do tão celebre vencido da vida, Camilo Castelo Branco? Em quantas paredes, sótãos, baús, esteve aquela gravura aberta a buril, de Bartolozzi? Quantas e quantas vezes, se elevaram as vozes numa casa, porque aquela inocente menina estava a querer brincar às cozinheiras com uma terrina Companhia das Índias? Quantas mãos já agrarram tão delicadamente aquela escultura do Bordalo? Aquela que ninguém tem...? Aquela que nem existe no Museu das Caldas? Quantas lágrimas já se derramarram de decepção, porque não se conseguiu no Leilão do Arnaldo Oliveira, adquirir aquela primeira edição do Adolpho Rocha, "A Rampa", porque o dinheiro já não chegava para tantas aquisições?

Mas, deixemo-nos de dramatismos, e pensemos agora que aqui poderemos escrever sobre as peças que temos, pode ser que alguém conheça, pode ser que alguém acrecente um ponto ao conto que já alguém nos contou, e que aumente assim as memórias que povoam o nosso ideal de histórias, de magias e de fantasias, para que, talvez numa noite fria de Inverno, sentados à lareira, ou com o ar condicionado a transpirar pelas frestas de plástico, possamos contemplar o que durante uma vida construímos, compramos, trocámos recebemos ou herdámos, nunca sabendo, se não será aquele olhar, o ultimo, de uma vida de ilusões...